Como escolher uma câmera de vídeo à prova de futuro
15-05-2008
As tecnologias das camcorders mudam
rápido. Saiba como escolher o melhor
modelo para que suas lembranças
resistam ao tempo.
Se tudo que
você costuma filmar são clipes de
seu bicho de estimação para mostrar
no YouTube, pode ser que qualquer
filmadora sirva. Mas se a intenção é
registrar os primeiros passos do seu
filho ou o casamento de sua filha, é
bom garantir que a filmagem possa
ser vista daqui a uns 20 ou 30 anos,
que é justamente quando será mais
prazeroso relembrar os momentos do
passado.
Claro que, até lá, os formatos de
vídeo digital de hoje em dia serão
peça de museu. Mas dá para escolher
uma câmera razoavelmente à prova de
futuro seguindo três conselhos
básicos:
- Compre a de melhor qualidade de
imagem que puder pagar;
- Capture em um formato amplamente
difundido;
- Use mídias de armazenamento de
durabilidade comprovada.
Nenhuma camcorder que testamos
obedece fielmente a todos esses
critérios. Mas, diante de uma enorme
quantidade de ofertas, a obediência
a esses três preceitos ajuda a
refinar as possibilidades de
escolha.
Para obter a melhor qualidade de
imagem (e de reprodução com
qualidade máxima, bem do jeito
prometido por aquela magnífica TV de
tela grande que você acabou de
comprar), a dica é exigir alta
definição – ou, no inglês, High
Definition (HD).
São dois os principais formatos de
vídeo HD em camcorders amadoras: o
HDV, que surgiu em 2004 e usa o
mesmo tipo de cassetes MiniDV do
formato DV original (que, aliás, foi
extremamente bem-sucedido); e o
AVCHD (de Advanced Vídeo Codec High
Definition), um formato ainda
imaturo que surgiu em meados de 2006
e que pode ser gravado em mídias
como DVD, disco rígido e memória
flash.
Zoom digital x zoom óptico
O zoom também é uma característica
importante. De acordo com a Sony,
quem quer esse recurso "deve se
preocupar com o zoom óptico". Foi
explicado que essa aproximação é
obtida a partir das lentes da
câmera, o que garante uma qualidade
melhor nas fotos. "O zoom digital é
conseguido por meio de um programa,
prejudicando a imagem em casos onde
o nível de aproximação é alto."
Entretanto, ressalta que o zoom
óptico encarece bem o custo do
equipamento.
AVCHD e HDV: o confronto
O AVCHD tem muitas (e boas)
vantagens sobre o HDV: um algoritmo
de compressão mais eficiente, que
usa menos espaço por minuto de vídeo
(um ponto importante para o
armazenamento de longo prazo);
transferências de arquivo da câmera
para o computador com um
arraste-e-solte, que é até dez vezes
mais rápido que o HDV; e mídia de
acesso aleatório evidentemente
superior ao velho rebobinamento de
fitas.
Como o AVCHD usa a mesma compressão
MPEG-4 do Blu-ray, você também
poderá tocar os discos AVCHD em
tocadores Blu-ray sem necessidade de
recodificá-los, o que é uma mão na
roda. Tudo indica que, no campo dos
vídeos amadores, este será o formato
predominante. Mas o HDV ainda não
morreu – e, para ser honesto, ainda
pode ser a escolha mais adequada.
O HDV permanece como opção por três
razões. Primeiro, a melhor camcorder
amadora HDV ainda oferece uma
qualidade de imagem superior ao dos
melhores modelos AVCHD (apesar de o
AVCHD ser continuamente melhorado).
E as camcorders HDV de nível
profissional já lugar-comum na
produção de TV, ao passo que só
agora surgem as primeiras câmeras
AVCHD profissionais.
Em segundo lugar, apesar da forma
lenta e antiquada de transferir
arquivos para o PC, a fita MiniDV
usada pelo HDV é, ela mesma, ideal
para armazenamento de longo prazo –
pode-se simplesmente jogá-la na
gaveta depois que a tiver editado.
Uma fita de 60 minutos custa cerca
de 15 reais.
O AVCHD, por sua vez, requer que se
queime discos ópticos para
armazenamento prolongado, ou que se
reserve um bom espaço no disco
rígido, ano após ano. Um disco
rígido de 1 terabyte vai guardar
cerca de 125 horas de vídeo AVCHD
com o bit rate máximo atual de 17
megabits por segundo (Mb/s), mas
será preciso o dobro disso para
backup.
As fitas também são mais práticas
nas viagens, já que pode ser difícil
ou até impossível descarregar os
vídeos de seu disco rígido ou do
cartão de memória.
O terceiro motivo – e uma boa razão
para adiar a compra de uma camcorder
AVCHD, por enquanto – é a
imaturidade do formato AVCHD. A
maioria dos softwares de vídeo para
amadores só agora começa a ser
compatível com o AVCHD, e mesmo
esses podem não tirar total proveito
do potencial de sua câmera e dos
modos de filmagem.
Por exemplo, um programa pode lidar
com AVCHD a 1.440x1.080 pontos a 60
frames entrelaçados por segundo
(60i), mas ignorar as variações,
como a nova resolução de 1.920x1.080
pontos ou o frame rate de 24p
(progressive scan).
Para usar o AVCHD na versão mais
recente do Windows Movie Maker, será
preciso convertê-lo primeiro, o que
resulta em perda de qualidade da
imagem. Além disso, o AVCHD ainda
não alcançou seu potencial em termos
de qualidade.
Embora as especificações do formato
prevejam bit rates de até 24 Mb/s,
há apenas um punhado de câmeras que
suportam no máximo de 15 a 17 Mb/s.
E nenhuma camcorder AVCHD amadora
oferece ainda suporte verdadeiro à
resolução de 1080p que provavelmente
sua TV de alta definição é capaz de
exibir.
Tudo isso, claro, deverá mudar em um
ou dois anos, à medida que as
camcorders AVCHD se aproximem das
especificações máximas de bit rate e
frame rate, e quando a
compatibilidade dos softwares em
relação a esses recursos se tornar
mais generalizada. E os preços
também tendem a continuar em queda.
Veja na tabela abaixo um resumo
comparativo entre os dois formatos

Camcorders: conheça o atual
estado da arte
Se você precisa comprar uma câmera
agora, veja o que procurar numa
camcorder amadora de alta definição
para que ela seja à prova de futuro.
Atenção: os preços em dólar são os
praticados nos EUA.
Para HDV: Aqui, as escolhas são
relativamente simples.
Já que todas as camcorders HDV
gravam fitas MiniDV com as mesmas
resoluções e bit rates, os recursos
que devem ser levados em conta são
aqueles que aumentam a qualidade da
imagem em qualquer camcorder, tais
como boas lentes com um potente zoom
óptico, um grande sensor de imagem
(CCD), recurso de estabilização de
imagem e excelente sensibilidade sob
pouca luz.
A Canon Vixia HV30 (US$ 999, foto
acima) e a Sony HDR-HC9 (US$ 1.099),
lançadas este trimestre nos EUA,
lideram atualmente o ranking de
qualidade de nossos avaliadores. As
duas câmeras têm zoom óptico de 10x
e portas HDMI para conexão e
reprodução direta na HDTV. Se você
não pretende editar seus vídeos
domésticos, então nunca chegará a
transferi-los para o PC, o que torna
irrelevante a questão do avanço e
retrocesso de fitas.
Para AVCHD: É aqui que as coisas
ficam mais complicadas, por causa da
grande variedade de mídias de
gravação e de capacidade dos
camcorders AVCHD. A Sony, por
exemplo, tem nada menos que dez
modelos: quatro com disco rígido,
cinco com DVD, e um que grava apenas
em cartões Memory Stick. Mas o que
interessa são as câmeras Full HD com
resolução de 1.920 x 1.080 pontos e
bit rate máximo de 16 Mb/s.
Isso reduz nossa lista a quatro: os
modelos com disco rígido HDR-SR10
(40GB), SR10D (120GB), SR11 (60GB,
foto ao lado) e SR12 (120GB). A
HDR-SR11 (R$ 3.250) e a SR12 (R$
3.699) têm melhores sensores de
imagem e LCDs, e suas resoluções em
captura de imagem estática (10MP)
são mais altas que as das SR10 e
SR10D (4MP). O drive de 120GB tem
capacidade para até 15 horas de
vídeo na qualidade máxima, e ainda
pode ser expandido com cartões
Memory Stick Pro.
A Canon e a Panasonic têm cada uma
dois modelos de qualidade
equivalente. A Canon oferece a Vixia
HF10 (US$ 1.100, foto acima) e a
HF100 (US$ 900). Ambas têm memória
flash e gravam com qualidade máxima
de 1.920x1.080 pontos e 17 Mb/s. A
HF100 tem um encaixe para cartões
SDHC que armazenam uma hora de vídeo
em qualidade máxima para cada 8GB. A
HF10 tem 16GB de memória de estado
sólido embutida, bem como encaixe
para SDHC.
Os modelos mais em conta da
Panasonic são o HDC-SD9 (R$ 3.499,
foto ao lado) e o HDC-HS9 (US$
1.000). Tal como a Canon HF100, a
câmera de memória flash HDC-SD9
oferece qualidade de 1.920 x 1.080
pontos e 17 Mb/s e encaixe para
cartão SDHC, que grava 8GB por hora
de vídeo. A HS9, basicamente uma SD9
equipada com disco rígido de 60GB, é
capaz de armazenar 7 horas e meia de
gravação em qualidade máxima.
Vale destacar que, apesar de todos
os três vendedores oferecem
camcorders AVCHD com gravação em
DVD, nenhum desses modelos oferece
bit rates máximos equivalentes aos
modelos com memória flash e disco
rígido. E, para guardar os vídeos
por longos períodos, você precisará
copiá-los para outro drive ou usar o
gravador Blu-ray ou DVD de seu PC
para arquivá-los.
Cores na HDTV: o padrão xvYCC
As câmeras Panasonic e Sony citadas
aqui (tanto as AVCHD como as HDV)
são compatíveis com a faixa de cores
expandida do padrão xvYCC, que
promete surpreendentes 1,8 vezes
mais vermelhos, verdes e azuis que
as cores sRGB padrão. Com o xvYCC,
as cores tornam-se mais fiéis e têm
gradações mais suaves.
Incluído na especificação HDMI 1.3,
o xvYCC pode ser encontrado em
diversas HDTVs novas fabricadas por
essas duas empresas. A Panasonic
batizou esse padrão de Digital
Cinema Color; a Sony, por sua vez, o
chama de “x.v.Color”.
Como o xvYCC é um padrão, na teoria
as camcorders e as TVs deveriam ser
compatíveis, não importa quem as
tenha fabricado. Mas as duas
companhias recomendam que o
consumidor seja fiel a uma só marca
de camcorder HD e HDTV, para
garantir os resultados prometidos.
Se você ainda não tem uma HDTV que
siga o padrão xvYCC, não há
problemas em gravar nesse formato
para uso futuro. A informação extra
de cores será simplesmente
descartada pela sua TV atual.
Note que o xvYCC mantém certa
relação com o termo Deep Color,
embora não sejam a mesma coisa. O
Deep Color designa uma tecnologia de
HDTV que diz respeito à ampliação da
profundidade de cores. As duas
tecnologias fazem aumentar o número
de cores disponíveis, mas apenas o
xvYCC está disponível hoje para as
camcorders amadoras.